BBDW 2026 · Autonomous Agents Workshop · Fundamentos

Como uma IA prevê a próxima palavra

Antes de construir agentes, vale entender a base: o que é um modelo, como ele decide o próximo token, e como se treina, serve e opera isso em produção (MLOps). Um passeio conceitual — sem exercício — até o ponto onde os agentes começam: chat + RAG.

🔢 Modelos & tokens 🎲 Próximo token 🔁 MLOps 💬 Chat + 📚 RAG
Ponto de partida

O que é um modelo?

Um modelo de machine learning é uma função que aprendeu padrões a partir de muitos exemplos. Em vez de ser programado com regras, ele ajusta milhões (ou bilhões) de parâmetros — os "pesos" — até acertar bem uma tarefa.

  • 📥
    Entra um dado (texto, imagem…).
  • ⚙️
    Os pesos transformam esse dado.
  • 📤
    Sai uma previsão (uma classe, um número, a próxima palavra…).
💡
A grande virada dos LLMs
Um Large Language Model é um modelo treinado com uma tarefa simples de enunciar e poderosa de dominar: dado um texto, preveja o próximo pedaço de texto. Só isso — repetido em escala massiva — produz algo que parece conversar, resumir e raciocinar.
A unidade

O modelo não pensa em palavras: pensa em tokens

Antes de entrar no modelo, o texto é quebrado em tokens — pedaços de palavra. "gato" pode ser um token; "independente" pode virar dois ou três. O modelo trabalha sempre com esses pedacinhos.

🔡
Por que isso importa
Tudo que o modelo faz é: olhar os tokens até aqui e prever o próximo token. Preço de API, limite de contexto e velocidade também são contados em tokens — não em palavras.

🧩 Texto → tokens

O gato é independente
6 tokens — o modelo prevê o 7º, depois o 8º, e assim por diante.

Por dentro da previsão

Entrada → camadas ocultas → saída

entrada — os tokens "O gato é" camadas ocultas — onde os padrões vivem saída — probabilidade de cada próximo token

O sinal flui da esquerda para a direita através de milhões de conexões (os "pesos"). A intensidade que chega em cada nó de saída vira a probabilidade daquele token — que a gente vê a seguir.

O coração do LLM · exemplo 1

Prevendo depois de "O gato é ___"

O gato é?
independente
22%
preto
17%
fofo
14%
esperto
11%
carnívoro
8%
meu melhor amigo
6%
…milhares de outros
22%
O modelo calcula uma probabilidade para cada token possível do vocabulário. Depois amostra um — normalmente entre os mais prováveis. Note que "é" puxa características (adjetivos, o que o gato é).
O coração do LLM · exemplo 2

Troque uma palavra: "O gato está ___"

O gato está?
dormindo
26%
com fome
16%
no telhado
13%
brincando
11%
miando
8%
assustado
6%
…milhares de outros
20%
Mesma frase, só mudou "é" → "está" — e a distribuição inteira muda: agora vêm estados e lugares (o que o gato está fazendo/onde está), não características. O modelo capturou a diferença de sentido entre os dois verbos sem nenhuma regra escrita — só de ver bilhões de frases.
De um token a uma frase

Prever, amostrar, repetir

Uma resposta inteira é esse passo minúsculo repetido: o token que ele acabou de escolher entra de volta no texto, e ele prevê o próximo. É por isso que o texto aparece palavra a palavra na tela.

01 · LÊ
📖 Contexto
Olha todos os tokens até agora.
02 · PREVÊ
🎯 Distribuição
Calcula a probabilidade de cada próximo token.
03 · AMOSTRA
🎲 Escolhe
Sorteia um token (a "temperatura" regula a ousadia).
04 · ANEXA
🔁 Repete
Junta o token e volta ao passo 1, até terminar.
🌡️
Temperatura
Baixa = sempre o mais provável (previsível, factual). Alta = arrisca tokens menos prováveis (criativo, mas mais "viagem"). É o mesmo modelo — muda só como ele amostra.
Duas fases

Treinar o modelo vs. usar o modelo

🏋️ Treino

Mostrar bilhões de exemplos e ajustar os pesos para prever melhor o próximo token. É caro, demorado e feito poucas vezes. Produz um artefato: o modelo, com seus pesos.

⚡ Inferência

Usar o modelo já treinado para responder, agora. É o que acontece a cada mensagem do chat. Rápido e repetido milhões de vezes — é aqui que mora o custo do dia a dia.

🎯 Fine-tuning

Pegar um modelo pronto e ajustá-lo um pouco para um domínio específico, com bem menos dados que o treino original.

📚 RAG (spoiler)

Sem mexer nos pesos: dar ao modelo os documentos certos na hora da pergunta. Chegamos lá no fim deste deck.

Colocar em produção

MLOps: o ciclo de vida do modelo

Um modelo num notebook não serve ninguém. MLOps é a disciplina de levar modelos a produção e mantê-los saudáveis — versionando dados e modelos, automatizando o deploy e monitorando para saber quando re-treinar.

🗃️
Dados
Coletar, versionar e preparar.
🏋️
Treino
Treinar / ajustar os pesos.
🧪
Avaliação
Medir qualidade e vieses.
🚀
Deploy
Servir como API de inferência.
📈
Monitorar
Detectar drift e degradação.
🔁
Re-treinar
Fechar o ciclo com dados novos.
🎩
No Red Hat OpenShift AI
Esse ciclo vira pipelines, model registry e model serving sobre OpenShift — treinar, versionar e servir modelos com governança, no mesmo cluster onde rodam os nossos agentes.
O modelo como serviço

Inferência vira um endpoint

Servido, o modelo é só uma API: você manda o texto (o "prompt"), ele devolve os próximos tokens. Seu aplicativo não carrega o modelo — ele chama um endpoint de inferência.

  • 🔌
    Um endpoint compatível com a API da OpenAI (padrão de mercado).
  • 🏭
    Models-as-a-Service: o modelo hospedado, pronto para consumo.
  • 🎛️
    Um AI Gateway na frente conta tokens, aplica cotas e filtra conteúdo.

🔎 Uma chamada, por dentro

Você envia → "O gato é"
Modelo devolve → "independente" (o token mais amostrado)

No workshop, o chat dos agentes fala com um endpoint desses (ex.: DeepSeek), e os embeddings do RAG com outro. É tudo inferência por trás de uma URL.

Subindo um degrau

Do modelo ao chat

Um chat é o mesmo "prevê o próximo token" — só que a gente monta o contexto com esperteza: uma instrução de sistema (o papel) + o histórico da conversa. O modelo continua só completando texto; a ilusão de diálogo vem do contexto.

💬
Ainda é previsão de token
"Assistente: …" é só mais texto para completar. Não há mágica de memória embutida — o histórico é reenviado a cada vez. (Guardar esse histórico de propósito é o que chamamos de memória, no próximo deck.)

🧱 O contexto de um chat

system Você é um assistente útil.
user Qual a capital da França?
assistant Paris.
user E a população?
→ o modelo completa a próxima fala

O último degrau daqui

RAG: dar ao modelo os seus documentos

O modelo só sabe o que viu no treino — nada dos seus dados, nem do que aconteceu depois. O RAG resolve sem re-treinar: busca trechos relevantes dos seus documentos e os injeta no contexto antes do modelo prever a resposta.

  • 🔎
    Pergunta → busca os trechos mais parecidos (busca vetorial).
  • 📎
    Cola esses trechos no prompt, junto da pergunta.
  • O modelo responde fundamentado na sua fonte — menos alucinação.
📚
Continua sendo o mesmo truque
RAG não muda os pesos do modelo. Ele só melhora o contexto que entra antes daquela mesma previsão de próximo token. Contexto melhor, resposta melhor.
Onde este deck termina

Chegamos ao chat + RAG. A partir daqui, agentes.

✅ O que já entendemos

Modelo, tokens, previsão do próximo token, treino × inferência, MLOps, o modelo como endpoint, e como chat e RAG são só contexto bem montado em volta dessa previsão.

➡️ O que vem no próximo deck

Dar ao modelo memória que persiste, ferramentas para agir (MCP) e autonomia para decidir. É quando o chatbot vira agente — o tema de "Anatomia de um Agente".

🧭 A régua mental

Sempre que algo parecer mágico, volte à pergunta: "qual é o próximo token, e que contexto ele recebeu?". Quase tudo se explica por aí.

🎯 Sem exercício

Este é um deck de base — nada a fazer no cluster. A mão na massa começa no Exercício 1, com o seu agente.

Fundamentos prontos

É tudo próximo token — o resto é contexto

Com essa base, o workshop faz sentido de ponta a ponta: system prompt, memória, RAG, ferramentas e autonomia são todas formas de dar melhor contexto à mesma previsão. Bora subir as camadas.

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